Dilatato Corde 1:2
July - December, 2011

DIÁLOGO DE EXPERIÊNCIA
PERCORRENDO DIFERENTES CAMINHOS RELIGIOSOS

Experiência de Meditação e Contato com a Mística Oriental 

Apesar de minhas experiências espirituais anteriores, meu retorno à vida espiritual, após muitos anos de afastamento e recobrimento do impulso espiritual pelo materialismo, ocorreu através de uma passagem pela Índia. Foi após beber nas fontes da milenar espiritualidade oriental que se desencadeou uma mudança de vida e uma radical transformação pessoal que orientou meu rumo em direção à espiritualidade, ao Ser e ao Divino.  Ao aprofundar minha experiência da meditação da ioga, restabeleci o diálogo com Deus, que cultivara em minha infância. Por esse caminho, retornei ao catolicismo e cheguei ao diálogo inter-religioso monástico. Depois de uma forte experiência espiritual na Terra Santa e do contato com a espiritualidade judaica, em Paris, comecei a perceber cada vez mais nitidamente o vazio da vida mundana e acadêmica e a aspirar a algo diferente, que não sabia inicialmente muito bem o que poderia ser.

Vivia, nessa época na França, onde trabalhava como psicóloga clínica, e, em 1978, recebi um convite para acompanhar um grupo de universitários à Índia. Numa estranha coincidência, meu bilhete foi marcado para três dias antes da chegada do grupo a Bombaim, o que me deu a possibilidade de deixar as luxuosas dependências do hotel “Taj Mahal” para ir visitar um renomado mestre de meditação, num pobre vilarejo próximo dessa cidade. O impacto de entrar em contato com um santo vivo da tradição indiana e poder perceber o estado espiritual no qual estava instalado foi fulminante! A serenidade, a força espiritual, o amor, a alegria que dele jorravam e a liberdade, espontaneidade e leveza de suas expressões e movimentos não tinham paralelo com nada que tivesse visto anteriormente, pondo em evidência o estado de contração e secura mental da vida intelectual na qual eu vivera mergulhada até então. O desejo de atingir esse estado mental reorientou radicalmente o meu interesse para uma prática intensa da meditação.

Dediquei-me, então, com empenho ao aprofundamento do estudo da filosofia indiana para poder melhor entender os ensinamentos desse mestre sobre a expansão da consciência e a realização do ser. Esses ensinamentos me pareceram muito valiosos, e através deles entendi por que os monges que cercavam meu mestre de meditação haviam largado tudo para seguirem suas pegadas rumo ao divino. Foi a partir daí, que passei a sentir-me cada vez mais atraída pela opção dos monges. Ao estudar a filosofia e a espiritualidade indiana, [1] interessei-me por uma teoria do impulso primordial da consciência para o divino, no qual não há ainda o apego a um objeto, mas apenas um impulso de vida, de criação e de amor, que nasce do âmago do ser. Os mestres da corrente filosófica e espiritual por mim estudada distinguem bem o desejo de Deus daqueles suscitados pelos diferentes objetos que nos cercam, situando esse desejo na raiz do impulso e em relação ao divino.

A experiência do contato com Deus, na infância, e a frustração experimentada na busca humana de satisfação através dos objetos ajudaram-me a entender a explicação dos mestres da ioga a respeito da diferença existente entre o tipo de satisfação proporcionada pela busca de objetos e o estado de felicidade no repouso em Deus. A meditação da ioga me ajudou a compreender que o ser humano almeja a esse estado de felicidade, e que ele não pode ser conseguido por nenhuma realização desse mundo. Pude vivenciar que as demais conquistas fornecem apenas uma satisfação passageira, o que provoca uma corrida incessante atrás de novos objetos. As práticas espirituais e o conhecimento da dinâmica do desejo me possibilitaram, portanto, distinguir paulatinamente a diferença entre a satisfação de um contato profundo com Deus dos outros tipos de satisfação do mundo.

Fui assim aprendendo a lidar com meus impulsos e a perceber a importância, o sentido e a grandeza do desejo humano, ampliando meu contato com a força e a criatividade de um impulso livre que não está ainda condicionado pelos interesses externos, mas se enraíza em sua fonte divina. Cheguei à conclusão que a experiência de um contato direto com Deus permite liberar o impulso humano e conduzi-lo através da graça divina a um processo particular de desenvolvimento espiritual que pode nos levar até a santidade. Em diferentes tradições religiosas, esse desenvolvimento é descrito como uma ascensão, sendo freqüentemente associada aos símbolos da montanha, da aspiral ou da escada. Foi, entretanto, na própria Bíblia e no ensinamento beneditino que encontrei as mais belas explicações a esse respeito.

Minhas pesquisas sobre o desenvolvimento espiritual partiram do estudo do amor apaixonado dos santos por Deus. Ao conhecer melhor a vida dos santos passei a antever o sentido e a possibilidade de redirecionar minha tendência apaixonada para uma plenitude muito maior de ser e amar. Compreendi que a força vital pode ser desperdiçada na multiplicação incessante dos desejos ou ser unificada e redirecionada para a própria fonte do amor. Essa descoberta ocorreu inicialmente na Índia, pelo conhecimento de santos hindus, mas provocou um retorno ao cristianismo, seguindo as pegadas dos santos cristãos apaixonados por Deus. Eles me revelaram através dessa paixão e de sua manifestação em suas naturezas extremas, uma dimensão do divino, muito maior do que a pequenez dos recipientes humanos pode produzir ou mesmo imaginar. Contemplando os dons que os santos manifestaram, os milagres e obras que realizaram, é possível vislumbrar a fonte mesma de onde brotaram essas realizações e perceber um amor que transborda e transforma o próprio recipiente.

De Volta ao Brasil em Direção ao Coração do Ser
Em 1980, voltei ao Brasil, trazendo comigo o ensino desse tipo de meditação, e, por mais doze anos, continuei passando longos períodos no ashram ou comunidade espiritual reunida em torno desse mestre, aprofundando meu estudo e prática do caminho por ele proposto para desenvolvimento espiritual. Os mestres da ioga ensinam um caminho espiritual de interiorização e expansão da consciência que tem como base um processo corporal e mental de integração e ascensão da energia humana. Nesse processo se busca orientar e direcionar o impulso sexual para a vida espiritual e o âmago do ser através de uma prática de continência sexual conhecida como brahmacharya [2] para a elevação do ser humano em direção ao divino. O ensino dessa prática de continência é transmitido através de símbolos da cultura indiana como um processo de integração da componente feminina e da componente masculina da psique, que são representadas pelo deus Shiva e pela deusa Shakti. Ao contrário do Ocidente, a cultura indiana valoriza, então, o celibato monástico e a virgindade antes do casamento. No ocidente, a questão foi pouco aprofundada e ficou praticamente desconhecida fora do contexto religioso

Comecei a praticar a meditação a fundo, sem me preocupar muito com as questões morais e sexuais, obtendo rapidamente resultados surpreendentes, porém através de minha própria experiência fui apreendendo o valor do celibato. Trabalhando e morando, em Paris, desde 1966, eu vivia no meio intelectual francês, pondo em prática as idéias em voga nesse meio sobre o “amor livre”, sobre a liberdade da mulher e sobre a importância da realização dos impulsos e prazeres. Fiquei, pois, impressionada ao perceber como os hindus direcionavam a sexualidade para a vida matrimonial e para a vida espiritual. Durante minha permanência em minha comunidade espiritual (o ashram perto de Bombaim), eu seguia simplesmente a disciplina e a ascese recomendadas. Conseguia, assim, um estado de paz, alegria, satisfação comigo mesmo e de grande força e clareza mentais. Inicialmente, ao voltar a Paris, eu continuava levando minha vida anterior, até que percebi o quanto isso desgastava e enfraquecia toda a energia espiritual acumulada nos longos períodos de prática intensa.

Desse modo, tornou-se claro para mim por que os monges fazem os votos de brahmacharya e praticam o celibato. Com base na prática da meditação, no estudo da psicologia ensinada pelos mestres indianos e em minha experiência pessoal sobre a sexualidade compreendi a importância do celibato e fiz interiormente os meus votos passando a me considerar, desde o final da década de setenta, como uma monja vivendo no mundo. Tendo tomado minha opção de união com Deus, minha decisão da prática do celibato tinha como objetivo seguir o caminho proposto pela ioga de voltar o impulso humano para dentro e para o alto (e não para baixo e para fora, em direção ao mundo externo). De acordo com a concepção do brahmacharya, a vida espiritual una e consagrada corresponde a uma proposta de elevação espiritual do impulso humano na sua totalidade. Ela permite de distinguir a escolha do celibato da recusa da sexualidade ou da recusa de um companheiro do sexo oposto. No caso da vida una, abre-se apenas mão de uma união externa e complementar humana para buscar-se uma união interior e espiritual com Deus

Minha escolha da vida una consagrada foi uma opção interior de união com Deus, não correspondendo a nenhuma adesão ao hinduísmo. Minha opção pelo caminho da meditação e da vida monástica no mundo não foi acompanhada de uma aceitação das concepções religiosas hindus sobre a reencarnação, a adoração das diferentes divindades, a divisão em castas, a relação com os estrangeiros, etc. Pude assim continuar, mesmo depois de meu retorno ao catolicismo e até hoje, a prática da meditação e do celibato visando apenas o movimento de interiorização da consciência e a unificação do impulso como forma de elevar o meu espírito e preparar o meu ser para as manifestações mais sutis do plano espiritual e do diálogo com Deus. Encaro essas práticas como uma postura de abertura para Deus e para a escuta do que Ele propõe para mim e para minha vida, despojando-me das construções do ego de modo a tornar-me aberta e livre como uma criança que não foi ainda moldada pela vida do mundo. Não atribuo, portanto, nenhum mérito a essas práticas em si, nem procuro através delas atingir algum estado mais avançado de desenvolvimento espiritual apenas com essas práticas, pois acredito que esse desenvolvimento ocorre de uma forma mais harmoniosa e espontânea em parceria com a graça de Deus, numa união amorosa que não está diretamente relacionada ao estado da mente ou à prática do celibato. As práticas espirituais apenas preparam o terreno.

Foi na comunidade espiritual de meu mestre de ioga, na Índia, que voltei a ouvir falar de Jesus Cristo e dos santos católicos. A comunidade comemora as principais festas das tradições religiosas dos discípulos ocidentais, entre elas o Natal, e lendo a belíssima revista dessa tradição da ioga passei a conhecer o caminho da mística e da contemplação dos santos católicos que o haviam percorrido, como S. João da Cruz e Santa Tereza d’ Ávila. Os textos da revista falavam deles e de Jesus com grande reverência, mas a Ele se referiam como um mestre divino igual aos outros mestres também considerados como divinos pela ioga. Essa reverência pelos santos que trilharam o caminho do Amor de Deus em outras tradições religiosas me parecia comovente. Contudo, tendo sido educada na tradição católica, eu estranhava a maneira como Jesus era apresentado na versão hindu adotada pelo mestre de ioga dessa tradição e aceita por sua comunidade. O enfoque hinduísta do Cristo era diverso do apresentado pelos Evangelhos e pela tradição cristã, de modo que eles pareciam falar de outra pessoa distinta da que eu conhecera, no contexto católico

Voltei, então, a ler os Evangelhos, procurando melhor esclarecer essa questão da divindade. Quanto mais eu relia os Evangelhos e meditava sobre as palavras de Jesus sobre Ele mesmo, mais difícil me parecia ignorar as diferenças. Cheguei a um ponto em que minha certeza que Jesus era Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, tornou impossível aceitar a interpretação que colocava outros mestres espirituais no mesmo nível. A gota d’ água nesse processo foi um sinal transmitido por uma experiência espiritual, quando eu estava em meditação. Eu já estava há dez anos de volta ao Brasil, e, como todo ano, fui ver minha mestra em seu ashram indiano, situado na área rural de Bombaim (Índia). Era um Natal do início da década de noventa, e eu estava sentada em meditação com os demais membros da comunidade espiritual, quando tive essa experiência decisiva para o meu retorno à Cristo.

Retorno a Cristo e Experiência do Diálogo Inter-religioso
Essa experiência ficou profundamente impressa em meu coração e desencadeou um movimento de conversão às minhas raízes católicas. Lembro-me perfeitamente que estávamos todos em silêncio, reunidos em torno da mestra de ioga, no lindo pátio interno do ashram.  Sentia-me coberta pelo céu estrelado, mergulhada no profundo silêncio da meditação conjunta e envolta pelo ar perfumado daquela agradável noite tropical de dezembro, quando senti passar por mim uma presença inigualável. Inicialmente, imaginei que essa presença fosse a de nossa mestra que estivesse passando entre nós, e abri os olhos para ver, porém ela continuava sentada em sua cadeira. Voltei a fechar os olhos e, entrando novamente em meditação, senti a mesma presença e procurei melhor fixar minha atenção interior nela. Consegui, então, perceber que essa presença sutil era masculina, porém sua energia era distinta daquela que sentia na presença do mestre anterior já falecido. Era uma presença masculina num corpo sutil de forma esguia, diáfana e suave da qual emanava uma força poderosíssima. Todo resto em volta havia desaparecido.

Concentrando toda minha atenção nessa figura delineada na tela da minha consciência completamente interiorizada, pude, então, captar uma doçura amorosa indescritível e inebriante que tocou profundamente meu coração, de onde surgiu a certeza: Era Jesus! Foi como se ele tivesse vindo pessoalmente me chamar de volta para a comunidade de seus discípulos. Escrevi à minha mestra dizendo que tudo que aprendera em seu ensinamento era bom e muito tinha me ajudado espiritualmente, mas que eu amava Jesus, e tinha decidido segui-lo. Não estava negando o que recebera nem me cabia criticar o hinduísmo ou opô-lo ao cristianismo. Meu objetivo era apenas aprofundar essa relação com Jesus, mergulhando totalmente na pureza das águas que jorravam das fontes cristãs desde sua vinda ao nosso mundo. Tinha consciência que a caminhada pela espiritualidade indiana me propiciara um retorno mais maduro ao cristianismo e reconhecia o imenso valor dos ensinamentos da meditação transmitidos por meus mestres da ioga, mas queria tomar o rumo do caminho cristão, evitando misturar ensinamentos distintos.

Tendo retornado ao catolicismo, em 1992, após uma longa caminhada pela espiritualidade oriental e uma intensa prática da meditação, estranhei inicialmente a dimensão mais externa e “social” das práticas cristãs. Minha adesão à fé cristã permitiu-me manifestar o desejo de ser monja e de entrar para um mosteiro beneditino. Fiz minha experiência em 1998, no Mosteiro Nossa Senhora da Paz, em Itapecerica da Serra (São Paulo), e já havia decidido nele ingressar, quando, em janeiro de 1999, meu pai faleceu. Colocando em primeiro plano a caridade, não pude abandonar minha mãe sozinha e optei por não fazer minha entrada no mosteiro.  A passagem pela ioga me ajudou também, nesse momento, a entender que o afastamento do mundo para a comunicação com Deus pode ocorrer em meio ao turbilhão do mundo Essa compreensão me levou a aceitar o que estava acontecendo como uma expressão da vontade de Deus para minha vida, e a reorientar meu impulso para a realização dessa vontade. Com isso, observei uma ampliação do espaço interior de contato com Deus, uma maior afinidade instintiva com as coisas de Deus, permitindo-me discernir o que é de Deus sem me afastar do mundo ao meu redor.

Surgiu, então, em 2000, a possibilidade de fazer um pós-doutorado em filosofia, no Instituto Católico de Paris, sobre o diálogo inter-religioso e a oportunidade de ir morar no Priorado das beneditinas de Vanves. Foi lá que, sentada no refeitório das irmãs, na mesa da Priora, Madre Bénigne, eu ouvi pela primeira vez uma leitura sobre o diálogo inter-religioso monástico.  Manifestei imediatamente meu desejo de conhecer melhor esse diálogo e fui convidada a participar da reunião da comissão francesa responsável pela organização de um próximo evento sobre o diálogo inter-religioso monástico, na França. É impossível descrever a minha alegria por me encontrar no meio de monges de diferentes tradições religiosas e assistir a discussão através da qual procuravam delinear a apresentação do tema proposto para esse evento

Foi interessantíssimo escutar a maneira distinta de tratar a questão, em função do enfoque de cada tradição monástica, não apenas pela diversidade dos conteúdos, mas, sobretudo, pelo tom da discussão. Percebi que me encontrava rodeada de seres humanos muito especiais, que não procuravam nem dominar o outro nem impor-lhe suas idéias. Confrontavam claramente suas diferenças sobre a questão com a maior firmeza sobre a abordagem de suas tradições, porém no maior respeito da visão das demais tradições monásticas. A unidade amorosa que conseguiam transmitir no respeito das diferenças era extraordinária! Nunca antes nem depois, presenciei um melhor exemplo de reconhecimento mútuo. O meu deleite chegou ao auge quando fomos lavar juntos os pratos da nossa refeição em comum, e pude perceber o carinho com que uns procuravam servir os outros

De volta ao Brasil, em 2002, inscrevi-me num doutorado em psicologia sobre o diálogo inter-religioso monástico e recomecei meus estudos, em 2003, no departamento de psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. O acesso à experiência monástica de ‘contemplação e diálogo’ me foi propiciado pelo contato pessoal com o então Secretário Geral do DIM e Prior do Mosteiro Saint-André (em Ottignies, perto de Louvain-la-Neuve, na Bélgica), Pierre de Béthune. Ele me forneceu o acesso a toda sua documentação e a oportunidade inédita de participar da vida comunitária deste mosteiro masculino, quando lá residi, num quarto especial da clausura masculina, em fevereiro de 2003, a fim de poder realizar esse trabalho de pesquisa. Com base na história do DIM e de seu boletim, minha tese acompanhou o desenvolvimento da espiritualidade dialogal monástica rumo a uma nova dinâmica de reconhecimento mútuo e de unidade na pluralidade cultural-religiosa, apresentando um novo modo de ser cristão na Babel contemporânea, na perspectiva católica de uma Alteridade Absoluta.

NOTAS

[1] SODRÉ, O. (1985) La Nature humaine et L’Énergie Consciente, Paris - Sorbonne, tese de doutorado em filosofia ; SODRÉ, O. (1989) CIDVILASA, o Jogo da Energia Divina – Teoria e Experiência do Eu: O Ator a Fantasia e seus Personagens, Rio de Janeiro, PUC - Rio, tese de mestrado em psicologia clínica.

[2] Brahmacharya significa literalmente: caminho para Brahma ou caminho de ascensão da energia, situado ao longo da coluna vertebral.
 

 

 
 
Home | DIMMID Introduction | DILATATO CORDE
Current issue
Numéro actuel
| DILATATO CORDE
Previous issues
Numéros précédents
| About/Au sujet de
DILATATO CORDE
| News Archive | Abhishiktananda | Monastic/Muslim Dialogue | Links / Liens | Photos | Videos | Contact | Site Map
Powered by Catalis